Quarta-feira, Janeiro 27, 2010

Brasil perde NEIDE CASTANHA, e as crianças UMA DEFENSORA

Reportagem, Suely Frota


Crianças e adolescentes de todo o Brasil perderam uma mãe na noite desta terça-feira. Depois de dois meses de luta contra um câncer e um dia após se internar no Hospital Santa Lúcia, faleceu, por volta das 22h30, em Brasília, Neide Castanha, mineira e militante a favor dos direitos humanos e sociais de crianças e adolescentes.
Foi muito rápido, de manhã: amigos e familiares preocupados com a internação, à noite, recebem a notícia. Neide estava fraca, mas todos acreditavam na recuperação. Neide não resistiu e se foi deixando saudades para família, amigos e principalmente aos milhares de crianças, adolescentes e jovens para quem dedicou toda a vida.

Formada como assistente social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, especialista em políticas públicas e direitos da criança e do adolescente, Neide ficou a frente do Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes desde 2004, permanecendo até quando a doença a venceu.

“As crianças não têm dono, são patrimônio do País”, Neide CastanhaNa sua trajetória, grandes conquistas. Entre elas, a mobilização nacional para aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a luta em defesa dos adolescentes privados de liberdade, e a capacidade de organizar lideranças de vários países para a realização do III Congresso Mundial de Enfrentamento à Violência Sexual, no Rio de Janeiro, em 2008. Neide foi também uma das principais responsáveis pelo desenvolvimento da metodologia de uma importante ferramenta para o combate a violência infanto-juvenil, o Disque Denúncia -100, para notificação de casos de violação dos direitos sexuais de crianças e adolescentes.

Uma das primeiras reportagens que fiz, ainda na faculdade, foi justamente por ocasião da mobilização do 18 de maio, Dia Nacional do Enfrentamento ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, na Esplanada dos Ministérios, em 2006. Lá estava ela, orgulhosa com a grande mobilização de meninos e meninas que subiram na rampa do Congresso Nacional para entregar o abaixo assinado com cinco mil assinaturas, que reivindicava uma maior proteção as vítimas e uma consequente punição àqueles que violentam sexualmente a população infanto-juvenil do país. “Esquecer é permitir, lembrar é combater!”

Por seu relevante trabalho, Neide recebeu premiações e homenagens, como o “Prêmio Claudia 2009” e o “Prêmio Mulher Cidadã Bertha Lutz”, ambos pelo amplo trabalho realizado a favor dos direitos de crianças e adolescentes.

Para amigos, familiares e militantes da área dos direitos humanos, os prêmios reconhecem a trajetória de ousadia de Neide Castanha. “Nossas crianças e adolescentes perdem uma grande aliada, as instituições que trabalham na área da violência sexual uma profissional comprometida com essa causa e o Brasil uma de suas maiores especialistas na área”, conta a amiga e socióloga Graça Gadelha.

Neide Castanha foi uma mulher que sempre aceitou desafios e enfrentou barreiras. Nesta terça-feira, ela encerrou uma missão iniciada na Praça da Sé, em São Paulo, durante os trabalhos da faculdade, onde começou a olhar e lutar por crianças e adolescentes carentes, famintos, violentados, necessitados –, maioria ainda invisível aos olhos de brasileiros e governantes.

O sepultamento da assistente social Neide Castanha acontecerá às 17h desta quarta-feira, no Cemitério Campo da Esperança, em Brasília.



Quinta-feira, Agosto 20, 2009

Da Cultura Artística à Política

Eis que em 2009 descobrimos o real significado da sigla “PT”: Pernas Tortas. O Partido dos Trabalhadores cada dia perde mais força, partidários e aliados. Manchetes de jornais, reportagens televisivas, matérias de rádio, não tem escapatória, todos só noticiam que Marina Silva (jurásquica do PT) vai mudar de partido, que o Senador Flávio Arns (PT-PR) está decepcionado com as posturas do PT, que a ministra Dilma Rousseff é acusada de pedir aceleração nos processos do presidente do Senado, José Sarney etc..
Em meio essa confusão, nos perguntamos, onde está aquele partido que lutava pelos direitos dos trabalhadores e de todos os brasileiros? Como acreditar que ainda há aquele PT de vinte/trinta anos atrás, com a corrupção generalizada no Senado, com políticos que ainda têm a ideologia petista de décadas atrás saindo do poder e com os próprios brasileiros – que antes viam no partido a mudança e a esperança de um Brasil melhor – desacreditados.
Todo dia nos deparamos com declarações e situações que confundem ainda mais nossas cabeças. Afinal, o que é o Congresso Nacional? Sinceramente, ando me questionando bastante a real função desse espaço político. Se era para ser um local de debate e discussão em prol da melhoria de vida dos brasileiros, agora virou lavanderia. Só se ver lavagem de roupa suja entre senadores, deputados etc. É um político que aponta o dedo para o outro, é um segundo que chama um terceiro de Cangaceiro, isso quando não há um quarto mandando outro – subliminarmente – tomar naquele lugar. Tudo com muita educação, é claro.
Ou seja, cadê a luta pelos direitos dos trabalhadores brasileiros, melhor, cadê o partido dos trabalhos brasileiros? Onde estão as pautas governamentais que tratam de ações e projetos que buscam a melhoria da vida social, política e econômica do Brasil? Cadê a política brasileira? O PT, que antes era o partido “justo”, lutava contra a corrupção, a roubalheira no poder, hoje está de pernas tortas, moles e curtas. Não tem forças, quem está dentro ou quer sair ou finge que está tudo bem, que não é comigo, lavo minhas mãos. E assim como o PT, outros partidos trilham esse caminho. Cadê o PT? Cadê o Brasil. Onde vamos parar? Como dizia alguns personagens da televisão “Quem poderá nos defender?”

Quarta-feira, Agosto 05, 2009

Café, Trident e Notebook

O que faz um jornalista recém-formado e desempregado? Bom, para aqueles que não sabem, a tríade café-trident-notebook é uma boa consolação. Pela minha intimidade com o assunto, nota-se que esta tem sido a minha rotina, ultimamente. Meu dia começa assim: acordo, tomo meu café da manhã – que não necessariamente é um café –, assisto os telejornais da manhã e vou para o meu notbook, ler os “jornais” e bater aquele papo com os amigos.

À tarde, quase a mesma coisa, sem televisão – ninguém merece a programação da TV Aberta nas tardes brasileiras. E assim, segue meu dia. Os três companheiros ficam do meu lado o dia inteiro, do café da manhã ao jantar, do acordar ao dormir. De um lado o computador, do outro os velhos companheiros, o café e o chiclete Trident (que dura mais e é sem açúcar, risos).

Essa trupe me ajuda a ocupar a cabeça e não desanimar na procura pelo desejado emprego. O computador me faz sentir mais perto de familiares e amigos, além de me deixar atualizada 24 horas por dia e me mostrar eventuais oportunidades de trabalho. Já o chiclete serve para adoçar meu paladar e enganar o estômago para não comer tanto o dia inteiro. O terceiro, o cafezinho, é meu preferido entre todos, é meu único vício. Tenho que tomar, pelo menos, três xícaras, para me satisfazer e, como diz o bom palavriado, aguentar o tranco.

Bom, esse não era para ser “aquele texto”, o melhor que escrevi. É por que sabem, né? O computador, nessas horas, também serve para escrevermos textos livres, com temas que gostamos, às vezes sobre nada interessante, só para nos ocuparmos e atualizar nossos blogs. Então, é isso. Quem quiser que me acompanhe. Termino esse texto, que escrevi no meu notebook, com um chiclete na boca, esperando a bebida dos deuses (o bom e velho café) ficar pronta na cafeteira.

Quarta-feira, Junho 24, 2009

História

O dia em que os papeis contaram a história das primeiras imagens brasilienses
Por Suely Frota

“Os jornalistas começaram a chegar aqui, em 1959, e foram se instalando e fincando raízes na cidade. A TV Brasília, já estava programada para ocasião, era dos Diários Associados, inaugurou junto com o Correio Braziliense e havia um providenciamento, eu não tenho segurança, se no mesmo dia a TV Nacional já estava operacionalizando. [...] Não havia transmissão direta. Não havia microondas, não havia Internet, a coisa era muito local.” A citação é do pioneiro e historiador Adirson Vasconcelos, foi retirada do livro Luz-Capital - o surgimento das televisões em Brasília contada a partir dos sujeitos da ação: uma história oral que morre diariamente, da jornalista Patrícia Leite, recentemente lançado em Brasília.
No livro, pioneiros, jornalistas, candangos, técnicos e telespectadores contam como foi a inauguração e as dificuldades em fazer as primeiras transmissões da TV brasiliense. Depoimentos mostram o modo artesanal e totalmente experimental que era fazer televisão e, principalmente, jornalismo nos primeiros anos de Brasília.
Luz-Capital mostra como foram as primeiras transmissões à cores (ou a ausência delas), a programação (ou a falta dela), os anseios, os desejos, os desafios, a coragem e, sobretudo, a vontade de montar uma televisão na nova capital do País. Apoio? Sim, eles tinham, do então presidente Juscelino Kubistchek. O que faltava? A junção de coragem, paixão e determinação para seguir em frente.
Mas por que contar essa história? Até então, nenhum documento reunira a história das tevês em Brasília. Contada apenas no boca-a-boca, a história das tevês brasilienses estava morrendo junto com os seus contadores e personagens. O medo e a preocupação dessa história morrer sem deixar documentos, provas ou recordações, levou Patrícia Leite à procurar os personagens dessa história e transformá-la em livro.
No corpo da TV Brasília corria sangues de barro e de terra. As artérias e veias eram representadas pelos candangos, jornalistas e tantos outros que teimavam em manter viva uma criança que estava apenas dando os primeiros passos. Era preciso que alguém mapeasse a trilha de barro, lama, imagens, falhas, chiados, ruídos e muito – muito – empirismo. Trilha essa que nos leva a história das televisões na Capital Federal.
Mas para sentir o calor dessa história, só se deliciando com a luz do Luz-Capital. A Luz essa que guiou muitos candangos ao construírem a nova capital e ao encararem o desafio de montar uma televisão essencialmente brasiliense. Essa mesma luz iluminou a jornalista, e agora escritora, Patrícia Leite para que ela não deixasse morrer uma história tão bonita quanto da criação de Brasília.

Saiba mais:
A autora: Patrícia Leite tem 25 anos de Televisão. Seu grande sonho era receber diploma, contar a história que não havia nos livros e deixar um bom legado de jornalistas jovens. Após quatro anos de faculdade, ela conseguiu realizar todos os sonhos: recebeu o diploma, contou a história das tevês brasilienses e formou grandes e jovens jornalistas.
O livro: Luz-Capital – o surgimento das televisões em Brasília contada a partir dos sujeitos da ação: uma história oral que morre diariamente. Patrícia Leite. 22 de junho de 2009. Brasília – Distrito Federal.

Terça-feira, Junho 23, 2009

Literatura


A cultura brasileira nas páginas de Ruy Castro

Por Suely Frota

Brasília recebe, esta semana, um dos maiores escritores da música e da cultura brasileira, o mineiro mais carioca do Brasil: Ruy Castro. Nos livros Chega de Saudade (1990), O anjo pornográfico (1992), Estrela solitária (1995), Ela é carioca (1999), Billac Vê Estrelas (2000), Carnaval no fogo (2003), Carmen (2005), Tempestade de Ritmos - Jazz e música popular no Século XX (2007) entre outros, o escritor, jornalista e biógrafo mostra-se fiel à cultura e ao povo brasileiro. Em seus livros, Ruy Castro retrata com carinho e preciosismo o jeitinho brasileiro de ser.

Ruy Castro é um contador de histórias da cultura brasileira. Falou “deles” e “delas”, que foram tão importantes para o fortalecimento e disseminação da cultura nacional. São eles: Nélson Rodrigues, Carmem Miranda, Olavo Bilac, Garrincha, os músicos do movimento Bossa Nova, entre outros protagonistas da cultura popular brasileira. Para o trabalho de conclusão de curso, tive a oportunidade de ler Chega de Saudade. A leitura é apaixonante. Parece que eu estava lá, no meio do Rio de Janeiro, em cada página que lia.

Jornalista, Ruy Castro, ajudou a deixar boas marcas da cultura brasileira nos principais veículos do Rio de Janeiro e São Paulo. O escritor também foi responsável pelos textos dos livro-CDs da PubliFolha “50 anos da Bossa Nova”, dos quais também tive a satisfação de ler. Todos os textos e livros de Ruy Castro só afirmam e reafirmam o quanto esse escritor é apaixonado pelo universo cultural que o Brasil tem.

Este é um breve resumo de quem é Ruy Castro, esse forte representante e disseminador da cultura brasileira. Um escritor e jornalista merecedor de prêmios, aplausos e muitos elogios dos fanáticos pela cultura popular do Brasil.

Papel e caneta na mão:

O escritor e jornalista Ruy Castro estará, nesta quinta-feira, em Brasília, no Projeto Encontro com Escritor, promovido pelo açougue cultural T-Bone. O evento começa às 19h30. O açougue T-Bone fica na comercial da 312 norte. Mais informações no endereço eletrônico: http://www.t-bone.org.br/.

Segunda-feira, Junho 22, 2009

Poesia




Vida é como o ar
Que você pode respirar
Mas tem que ter cuidado
Para doenças não pegar

As doenças são os problemas
Aqueles que sempre agente têm
Pequenos temas
Que em nossa redação convém

A redação é a vida
Cheia de esperança
Às vezes divertida
Como brincadeira de criança

A brincadeira é a felicidade
Que é muito boa de ter
É a nossa solidariedade
É a vontade de viver!


Fotografia e Poesia: Suely Frota

Sexta-feira, Junho 19, 2009

Dança


Tentando entender o Butô



Butô – Arte Cênica ou Plástica? Após assistir uma apresentação de Butô – uma dança contemporânea originada do Japão, que mistura teatro e mímica –, tive a impressão de ter visto várias quadros nas figuras dos bailarinos. A dança é uma mistura de gestos precisos, movimentos lentos, rostos e corpos expressivos. Cada movimento, uma pintura. Cada gesto, uma transposição em tela. Viagem minha? Talvez.
Se fossem uma pintura, a escola de Butô seria o expressionismo. A expressão é alma dessa dança. Expressa o corpo, expresso o rosto, expressa a dança. Eis o seu charme. Expressão muitas vezes de dor, inquietação, dúvida, tristeza, medo, comuns do movimento expressionista.
Porém, ao contrário do expressionismo, a expressão é interna – nesse contexto, a expressão não promove uma interação entre público e artista. Ou seja, o bailarino expressa para si mesmo e não para o observador. A expressão é individualista, acontece do bailarino para o próprio bailarino. O que gera mais inquietação.
E o público? Para os observadores, os bailarinos deixam as imagens intrigantes e os questionamentos. Ao mesmo tempo em que inquieta, encanta. Eis o butô.. Seu conceito? Nosso maior desafio. Sua expressão? O bailarino. Sua ação? Um questionamento. Seu conjunto? Uma obra de arte. Uma dança em tela. Não sei se posso dizer isso, mas a impressão que tive é que a expressão é o charme do Butô e o questionamento é o encantamento. O olho vidra em cada movimento, queremos entender mais e mais. Uma arte cênica ou plástica? Para mim, a mistura perfeita das duas.

Mexido de Dança
Alunos do Butô – Laboratório Corpo/Imagem na improvisação
UnB – Brasília/DF
Anfiteatro 9, Minhocão, UnB
19/06/2009



Dança

video

Butô

Mexido de Dança - UnB 19.06.2009

Filmagem: Suely Frota