Sexta-feira, Junho 19, 2009

Dança


Tentando entender o Butô



Butô – Arte Cênica ou Plástica? Após assistir uma apresentação de Butô – uma dança contemporânea originada do Japão, que mistura teatro e mímica –, tive a impressão de ter visto várias quadros nas figuras dos bailarinos. A dança é uma mistura de gestos precisos, movimentos lentos, rostos e corpos expressivos. Cada movimento, uma pintura. Cada gesto, uma transposição em tela. Viagem minha? Talvez.
Se fossem uma pintura, a escola de Butô seria o expressionismo. A expressão é alma dessa dança. Expressa o corpo, expresso o rosto, expressa a dança. Eis o seu charme. Expressão muitas vezes de dor, inquietação, dúvida, tristeza, medo, comuns do movimento expressionista.
Porém, ao contrário do expressionismo, a expressão é interna – nesse contexto, a expressão não promove uma interação entre público e artista. Ou seja, o bailarino expressa para si mesmo e não para o observador. A expressão é individualista, acontece do bailarino para o próprio bailarino. O que gera mais inquietação.
E o público? Para os observadores, os bailarinos deixam as imagens intrigantes e os questionamentos. Ao mesmo tempo em que inquieta, encanta. Eis o butô.. Seu conceito? Nosso maior desafio. Sua expressão? O bailarino. Sua ação? Um questionamento. Seu conjunto? Uma obra de arte. Uma dança em tela. Não sei se posso dizer isso, mas a impressão que tive é que a expressão é o charme do Butô e o questionamento é o encantamento. O olho vidra em cada movimento, queremos entender mais e mais. Uma arte cênica ou plástica? Para mim, a mistura perfeita das duas.

Mexido de Dança
Alunos do Butô – Laboratório Corpo/Imagem na improvisação
UnB – Brasília/DF
Anfiteatro 9, Minhocão, UnB
19/06/2009



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